segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ser mamãe

Solidão desde então
Há tempos que não sou
Há tempos que não faço
Sozinho me sinto
Não me encontro não me acho
Designado a ser um
Preciso ser dois
Me comprometo com o pronome
Masculino ou feminino
São as tarefas da maternidade
Diversos momentos
Seu acalento
Meu acalento
Nosso momento
Um pé e uma mão
Eu tento dizer não
Muitas vezes vou e faço
E dentro da pele e aço,
Meu osso aparece de tanto me dar.
Dou-me a ti todos os dias
Dou-me além do que posso
Se não faço sou o monstro,
Se reclamo pior ainda
Pois na hora do clima,
Foi tesao foi gostoso
E da-le mais assunto
Da-le mais desgosto
Maternidade, mãe e eternidade
Mãe eternamente mãe
Mãe é ter mente e em sã
Consciência eu me fodo
Lutando contra todo o machismo
Escroto
Não tá escrito
O que é todo os dias
Ou só na maioria
Não perceber a melhoria
Não só de um
Não só dentro de casa
Não só dentro de um lugar
Que não se encaixa
Não te encaixam no role
Não te encaixam no padrão
Você não se encaixa
Até que te encaixotam e você
Vira chacota na mão do irmão
Que até então era teu parceiro
Teu amigo, teu camarada
Mas de repente, toda a sua quebrada
Sumiu...
Só que, nem que seja o décimo primeiro sermão
A luta sempre continua
a tua cria se espelha
a tua cria, cria asas e assemelha
O teu comportamento
E se um dia você puder perceber
O teu esforço valeu a pena
Tanto quanto o sorriso da pequena
Luz, no final é sempre luz
Mesmo que pra acender,
Seja preciso desprender
A teta tá aqui, pode chupar
Pode morder
Tudo que eu faço é por ti meu filho
Até morrer!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Para lembrar: Eu e Joaquim aos 8 meses.

Um coração para dois
Dois corações para um
Se o seu coração parar
Eu sei que não sobra nenhum
Uma vida inteira por você à espera
do incerto, esperando algo a mais
Da vida que não tem saída
Sem sentido nenhum sinto tudo
Nós dois somos um.
Qual é o seu nome? 
Quem é você? De onde você veio?
Eu só quero saber
se teremos tempo de ser um pro outro
tudo aquilo que imagino, 
seus olhos...
seu brilho...
meu menino!
Ando meio calada, distante, perdida, sei lá
As vezes não aguento
tanta coisa acontece aqui fora,
sua mãe é apenas uma menina
tentando ser mulher, tentando ser melhor
Tentando ser o que ela nem sabe
Mas sente é por amor.

--

What's the point?
Foi o que o menino disse quando terminou o filme...
E o que era simples se tornou um vício
A vontade de saber o que não se sabe
A vontade de conhecer o que não se conhece
À vontade, à beira, à margem
Seguimos.
Qual é o seu signo?
O que faz por aqui?
Onde você mora? Será que eu posso ir?
Ir até onde os pés aguentarem
Ir até onde haja chão, se os pés não mais o tocarem
Subiremos as montanhas brancas e iluminadas dos céus
Esperando descobrir o que há por trás dessa brincadeira
Verdades nem sempre são ditas.
As pistas são falsas, você camarada
Não mata a charada, e se mata um pouco todos os dias
Buscando, cantando, sorrindo, matando...
Batendo punheta, batendo na "nêga",
fazendo aquilo que o ensinaram
Afinal, és um coitado?
O que era simples se tornou um vício,
da maçã à melodia
Tudo entre categorias
E você entre você e o você que ainda não conhece
sabe se lá até quando...
O sol está se pondo, e a tinta está se acabando
Até logo, até já, até algum outro dia.


--

De repente tudo o que a gente sente tem explicação
e nada é tão exclusivo assim como aquela canção
que você escutou e pensou, "é pra mim"
Os dias passam e você olha pra trás
tudo tão em vão quanto aquela porção de coisas que você não quis mais
Chorando ou sorrindo, os caminhos vão surgindo
é só questão de ser aquele que você quer
e não se acovardar quando o medo surgir...
Pra tudo querem dar nome
Se eu como demais, se eu durmo demais, se eu antes de "se" era algo, eu nem sei mais
Tudo vira teoria e esquecemos de sentir...
A prática da razão sem emoção nos tornando a cada dia teóricos cheios de agonia

sábado, 7 de janeiro de 2017

Cancioneiro

Não cale a promessa
Que eu venho depressa
Decidir o que já foi
Dito as pressas
Por nós
Naquele dia sem cor

Rejeitar o amor
Que colori pra nós dois
Não faz de você um poeta
Nem eu mais esperta
Só aumenta a espera
De colher mais um de nós.

Toda palavra solta no ar
Há de se despertar
Pensamentos no olhar
Que podem perdoar
Besteiras.

--

É a fé que envolve
O meu laço
Veste o encanto
De azul oceano
Protege e corre
Do vento e ventania
Ser pequeno
E ser tão grande
O meu amor
Vestido de rosas
Abraços e laços
Seus cabelinhos
Escuros enrolados
Meu ninho
Meu corpo
Seu lar
Abrigo-te por onde quer que estejas.

[ainda sobre o amor incontestável de ter você dentro de mim]

Meu veraneio

Queria ir à praia
Sem esperar tempo bom
Mesmo que de blusa fosse
E de calça estivéssemos
E molhássemos os pés na água fria
E sentíssemos as pedras na areia
E pudéssemos perceber o ar...

Cortante e visceral
Sobre os nossos corpos
Apaixonados e úmidos...

Daí sim,
Poderíamos ser o calor
E fazer surgir o sol:
Aquele que existe em nós mesmos.

CPTM

O caminho é torto
Cansado e colorido
Mesmo quando as janelas estão
surgindo
Pelo caminho
Vejo a vida de quem está parado
Em movimento
Mesmo estando ali sentado
Observo o caminhar
Da luta, da outa, da suja
Que dá boca sai por aí
Palavras e palavras ouvidas
Durante o balançar do trem.
Não há rede
Nem descanso
Nem mamadeira
Se a porta está fechando
Não importa quem está na sua frente
O rolo compressor invade
Até a sua mente.
Eu digo, oxe gente.
A pressa é a inimiga da perfeição
Mas nesse mundo de cptm
O que importa é ter imaginação
Pra seguir caminho nessa viagem
Se não a gente pira
Meu irmão
Na malandragem da
Bolinha branca é um real
Eu te apresente a vida real
Através de um texto escrito às pressas
Ops, próxima estação: Jundiapeba.
E a quem chama aqui de trevas,
Escuridão é ausência de luz
Que tudo que sai da sua boca,
À ti mesmo faça jus.
Entre todas as estações
Mudanças ocorrerão
Olhe em sua volta
Busque inspiração
A fé vem de dentro
Lembra daquela flor que rasgou o chão?
Então.
Siga em frente.
Próxima estação.

Observações sobre ela

Em carinho, dedicado à uma querida amiga ubatubana/carioca, Ana (flor)

Observações sobre ela - 30 de dezembro de 2016

Um arco
Transcendental
Com flechas
Feixes de luz
Olhar penetrante
E natural.
Flor e tal.
Florestal.

Consoante
Galhos longos
Longínquos
Seus pensamentos
Seus braços
Suas pernas
E seios
Tímidos
Fortes
Raízes e terra.
Mágica e tal.
Florestal.

De tão distante
Deste meu horizonte
Brota, gera, nasce:
Uma flor.
Bela e amarela.
Bonita e tal.
Florestal.

O que me falta?

 Tenho me sentido estranha, mas hoje sei que preciso me sentir parte de um lugar muito especial. E sobre isso, escrevo assim: O que me falta...