domingo, 10 de novembro de 2019

Eu sou potira?

Pertenço à mim.
Pertenço à mim?
Pertenço à mim...
Mas o que é isso?
Mim é índio, dizem.
Que seja... dizem.
Que assim seja 
Sim...
Será?

Já nos roubam todos os dias
A permissão de ser aquilo
Que grita em nós
Ainda roubarao a vontade
De nos conhecer?
Sim
Ocultando a nossa origem
Apagaram a nossa história

O que nos resta ?

De onde eu vim?
Ou
Onde estive?
Somos um ?
Somos todos?
Somos?
Somamos?
Sumimos?
Sumiremos?

Inquietudes que me assombram
Perguntas que me surgem...

Será que ainda saberei?

Hoje os antecedentes somam
Sobre a tua identidade
- o teu número - e não quem tu és.

Mas falo de ancestralidade
Aquilo que grita
Aquilo que fere
Aquilo que te leva a entender
Um pouquinho mais sobre o ser
E sobre os porquês.
Não nos deixemos esquecer!

Chega de sangue manchando
A árvore genealógica
Chegue de sangue manchando
A terra, o chão, o ar.
Chegue de sangue desoxigenado!!!!!

Busquemos o que somos!
Para que um dia
Ainda possamos ter
O direito de ser e exercer
A nossa
Humanidade.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

SETEMBRO AMARELO

Por mais que você mate o tempo
O que te incomoda continua a li
A matar-te um pouco todos os dias.

Por mais que você sinta
As vezes as pessoas acham que podem
Te fazer não desistir mas a dor continua ali.

Ela existe.

E de tanto existir por dentro
Ela grita e quer ir pra fora.

Ela existe.

E sem acreditar que sim,
-Ela vai sair dessa-
A saída se torna o fim da linha.

Por mais que não seja o seu verdadeiro querer
De tanto acreditar que não era capaz e que não existia
-como pessoa-
A vida vira coisa à toa
E a pessoa que você achava boba
Tirou a própria vida.

Falta de dinheiro?
Falta de coragem?
Falta de amor?
Culpa da sociedade?

Enquanto procuramos culpados
Quem mais se sente culpado
É colocado como o “vitimizado”
Vítima sim
De um grande crime organizado.

Quem mede a dor que tu sente?
Quem vai beber água quando está com sede?
A régua que mede a minha dor
Não percorreu o caminho que percorri
Não viveu o que eu vivi
Não engoliu o que eu engoli e tive que vomitar para não me matar
A régua que mete a minha dor
Se torna réu do crime que cometeu
Quando escolheu
Julgar a minha vida quando eu apenas
Precisava de empatia.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Cólera ou Cegueira

O pior cego é
Aquele que vê
A realidade que imagina
Desatentando-se aos fatos
Por puro  privilégio.

O pior cego é
Aquele que crê
Na justiça que é seletiva.
Não serve para todos.

O pior cego é
Aquele que diz
E além de cego torna-se mudo
Porque junto,
Dá voz aos tolos
Na inocência de silenciar intolerâncias.

O pior cego é
Aquele que vive
E jaz sobre a sua deficiência
De não enxergar o mundo
Não através de seus olhos
Mas através dos olhos dos outros
Deixando-se enganar pela doença do mundo:
A vontade de se manter doente.

O pior cego é
Aquele que sou.
Mesmo enxergando permaneço
Imóvel
Ao outro e por consequência
À mim mesmo.

Triste.
Difícil.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Acabou
Mas não chorare.
Começou.
De repetente, virou vício
Porém desde o início
O aviso foi dito:
Cuidado!
Sem dar valor na importancia
De um aviso dito
Recomendação virou um risco
Tentativa de não se entregar.
Acabou
Mas não chorare
Por quê o dia nasce
E a coragem cresce
Mesmo quanto tudo se parece
Com a grande mentira
Que é viver ó.
se pá faz tempo que tô por aí
tentando achar tempo pra ser
o que agora não dá pra ver

tanta mudança ocorreu
o tempo passou e você não percebeu
deixou de lado o baixo astral
mas agora se pá tá mais do que real
a vontade de voar e ver
pra ser de corpo inteiro
é necessidade meu parceiro
o ritmo a voz o corpo
em movimento

se pá é meio assim
os dias passam e o branco vem
tu re-lê o que já escreveu
fica de cara com tanta coragem...

estar feliz é sinônimo de vaidade?

pra que ser feliz e deixar de ver
pra que ser feliz e não perceber
olha pra dentro de você
ser feliz não é obrigação.

eu não aguento mais lembrar de você
mas que caralho você botou em mim
já era pra eu te esquecer
caralho não foi na verdade,
talvez um tronco de árvore.

Quero brincar com esse sentimento
mas a real é que tô no chão
não tem poesia não tem nada
é uma par de podridão

Chorar eu não vou mais,
Tô vendo você aí felizão
De tanto te ver com outra
Já até perdi o tesão,
mas que caralho você botou em mim
Presta atenção

Eu sei que isso se não fez
Falar de amor assim é fácil
Amar parece bom mas é ruim
Sai de mim, caralho!

Não era pra te expor assim,
Eu sei que falo demais,
Fazer o que se eu sou assim
Desatento nem vi o caralho entrar.
dissolução
de sementes em um ser
dissolução
um olhar que encosta
dissolução
cada fio, fio a fio,
seus pés
minhas mãos.

imensidão
teu ar em grãos
imensidão
um sim, as vezes não
imensidão
um dia é um ano
evolução

Existência simples.
dói.
Exala.
Amor: Joaquim.



Lenine-ar não é fácil
de um poema qualquer
uma melodia que invade
alguns passos soltos
não os ouço

eu tenho dentro de mim
um gramofone barato
as notas são falsas
mas consigo pagar o pato

partilhar não é fácil
mas fica bonito cantado
isso era pra ser uma bossa
mas acho que meu estilo é outro.

Ainda não sei pra que estou
Não ao seu dispor
Mas ouço tanto gente linda dizer
as vezes preciso acreditar

O amor é assim
Parece ruim mas é bom
Eu não sei fazer rima,
mas nessa sina amar eu também vou

Pareço seco e áspero
as vezes nem tão pouco
Um cacho de cevada e eu me abro
Falar de amor é fácil.

Isso era pra ser uma bossa
Mas meu estilo é outro,
Não rimo nada com nada
Mas sei falar bosta.

Fim. 

O que me falta?

 Tenho me sentido estranha, mas hoje sei que preciso me sentir parte de um lugar muito especial. E sobre isso, escrevo assim: O que me falta...