terça-feira, 23 de abril de 2013

De um compadre

E agora, me concedo a honra em ter um dos textos do Pequeno Grande Filosofo do bairro...


"Todos brigam
Todos choram
Todos se arrependem
Todos imploram

Casmurro seja
O temperamento humano!
Não se contenta com o benefício,
Não se contenta com o dano!"

Matheus Oliveira

Relembrando

E mais um signo, mais um pensativo cigarro...

Estás comigo como fumaça:
No cheiro, gosto e marca
Presença simples e barata!
Os olhos parecem fartos
mas chorar não muda a alma
Foi-se tudo, sobrou nada.

Calma, eu te ensino:
Filtro, papel e tabaco
Vai-se o cigarro
mas fica a marca...

Pois estás comigo como fumaça:
No jeito-doce, e na fala
Quando era tudo,
pra você foi nada.

Meu menino

O destino
Torna-se
tinto.
Entre o seio,
A boca
sobe o vinho,
sinto.

No ventre
nasce
Num instante
morre
A tua carne
parte minha
escorre.

Único ato
e o tempo
Corre.
Eterno fato,
mas agora some...

Estás por dentro
Noutra parte.
No meu coração
nascerá
o filho
de nossa Arte.

Da Esfinge e
do Místico:
o filho do sol
e da lua
Mestiço vivo
o espírito, está.

Sempre vou te amar,
meu filho
Maior verdade não existirá.

Diálogo

Tentei a tal da... intertextualidade!

Torna-te quem tu és!
vem jovem, suba no cavalo
Não temas!

Porque penso que fazes a mesma coisa que eu,
aqui e agora, faço?
Me (re)ligando aos fatos, que se tornaram
pequenos crimes no acaso, e agora
no passado...

Como posso lembrar de ti, e
do que não existiu? Do que não há,
nem do que não existirá tão cedo, ou tão tarde?
Então sigo.
Continuo a inventar amores que tanto tenho feito.

Como quando fingi existir 
e te chamei para dançar a canção que
ainda não conhecíamos...
como tu jovem, podes aceitar?

Ah! Como pôde? 

Janeiro,  15.

eu, Beatrice.

Autobiografia?

Nunca me questionei sobre a questão do ser. Acho um tema meio que complicado. Complicado no sentido de complexo, difícil. E mais difícil ainda, seria definir o ser. Já ouvi dizer que ser, é definir-se a cada dia. Pra mim, a cada segundo (sem definição). Mas acredito que há a possibilidade de existir a parir de suas experiências, as quais nos transformam e contudo, nos tornam que somos no agora. 
Ainda não me tornei um só ser, mas posso dizer que já fui e vivi muitas coisas. Meus gostos, meus gestos, meus medos, minhas vontades e minha coragem, adaptam-se a medida que as novas situações aparecem. Como o vai e vem das ondas, que de certa forma trazem e levam novas águas; e ao mesmo tempo fazem parte de um só todo, de um só conteúdo: a imensidão do mar. 
Comparar-me ao mar, mostra como sou presunçosa. Mais fácil seria comparar-me a uma simples gota; que some no meio da terra, ou olhando por outro lado, que completa-se junto a outras. Bom, melhor não comparar a nada. 
Basicamente, acho que é isso: eu me completo. Me completo com outros que se assemelham a mim. Sou um ser plural, sociável. Sou ou estou, e sempre me complico. E sei que complicar faz parte. Sei muito pouco sobre mim. Preciso me conhecer mais, porém não tenho pressa. As vezes, não sei o que quero. Mas o que não quero é certo: deixar de tentar, de agir, de fazer. Estou e quero sempre estar. Como diz o querido Beto, "tenho sede de viver".

Março, 18 .

Quotidien


Após um dia daqueles... 
uma espera, um cigarro, uma dor, nenhuma certeza.


Hoje chorei.
Não por mim
Nem por nada,
Mas sim:
Eu chorei!

Não sou de lata,
Nem cobre,
Nem de mármore,
Nem imortal.

Tenho olhos,
Mãos,
E medo.

Mas, não vejo
 o mal. Ele sim é
de ferro.

Hoje chorei.
Não por nada
Nem pois bem.
Mas agora sei:
Eu também choro. 

Atriz

"Tem gente que continua achando que a vida é uma piada. Ainda bem que tem gente que pensa que a vida é uma piada. Pior é a gente que pensa que o homem é o rei da criação. Rei da criação., eu, heim? Um assassino nato, usufruidor da miséria geral - se você come, alguém está deixando de comer, a comida não dá para todos, não - de que é que ele se ri? De que se ri a hiena? Se não for atropelado ficará no desemprego, se não ficar desempregado pelo mulher que ama - mas ama, heim? - , arrebentado pelos filhos - pelos pais, se for filho -, mordido de cobra ou ficará impotente. E se escapar de tudo ficará velho, senil, babando num asilo. Piada, é? Pode ser que haja vida inteligente em outro planeta, neste, positivamente, não. O homem é o câncer da Terra. Estou me repetindo? Pois é: corrompe a natureza, fura túneis, empesta o ar, emporcalha as águas, apodrece tudo onde pisa. Fique tranquilo, amigo: o desaparecimento do ser humano não fará a mínima diferença à economia do cosmos."

Millôr Fernandes. Computa, computador, computa.
3 ed. Rido de  Janeiro: Nórdica, 1972. p 85

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Contos


Mais um trecho do Conto de Lágrimas...


A menina que buscava a sofisticação dos seus sonhos, encontrou tudo o que precisava, em apenas um ato: contemplação. Tê-lo pra contemplar. E nada mais. O Nada se via em tudo. Se fosse aquilo que ela tivesse, era aquilo que a satisfazer-ia. No entanto, se mais tivesse, mais gostaria de ter. Sempre buscava mais.
Ele era muito. Mesmo sem acreditar, o seu poder dominava a coitadinha. Que bonita, era apaixonada. Mas e ele? Ele não cabia dentro da história, muita loucura, Deixa ele só pra menina, ela me contou um pouco dele, mas é difícil de acreditar, acho que só sentindo mesmo, pobrezinha a Joaninha, Mas o que ela contou?  Não sei, não entendi muito bem. Quis ajudar. Mas ajuda ela não quer, se quer diz ela que não, Sabe o que quer? Só do que não. Não quer acreditar que isso seja amor. Não, não quer.  Talvez não haja muita diferença entre o que ela acredita, e o que diz que sabe, Judiação, ela acha que sabe, mas sabe nada não,
Menos mal. Acho que assim, piorará menos, Mas e ele? Ah, ele de novo? Sim. Ele, ele, ele! Quem ele é? Ele é muito mais do que me atrevo a dizer. Diz ela que ele é luz! Como assim, luz? Ilumina os (des)iluminados, encanta quando canta, cala - quando fala, desintegra - quando quer ensinar a menina, e ensina! Como ensina! Tem mais? Tem. Faz poesias divinas. Ele - um galanteador, usa barba, tem cheiro bom, mãos grandes, corpo gostoso, anda largado, todo metido a desleixado, mas é um lorde; seu sorriso - o céu aberto, o hálito - brisa do mar, sua presença - um carnaval de desconcerto, sua risada - a nossa primavera, sua voz - o cantar dos pássaros em harmonia desarmonizada, quando passa - desestrutura a fala, até dor de barriga já deu! No corpo, causa arrepios, és rosa sem espinhos, E na cabeça? Na cabeça? É, na cabeça! Na cabeça, só tem ele, Não! Na cabeça dele, o que tem? Diz ela que tem o oceano inteiro de sabedoria, dúvidas e mais um pouco...É, essa menina está realmente louca, esquizofrênica! Ele não pode existir! Mas pra ela existi! Se acreditas no amor, acreditas nesse tal de Amendoim, talvez seja ele, o que restou de bom...



terça-feira, 2 de abril de 2013

O que me falta?

 Tenho me sentido estranha, mas hoje sei que preciso me sentir parte de um lugar muito especial. E sobre isso, escrevo assim: O que me falta...