sexta-feira, 24 de junho de 2022

O que me falta?

 Tenho me sentido estranha, mas hoje sei que preciso me sentir parte de um lugar muito especial. E sobre isso, escrevo assim:


O que me falta?


me questiono sempre

sobre

o que me falta

sobre

o que me torna 

angustiada.


E tenho

como resposta,

que tenho tudo.


sobretudo

vida, felicidade ou

quase tudo.

e mesmo assim 

me pergunto

o que me falta?


e passa um tempo,

e me pergunto depois

de tanto ter buscado

então

o que me resta?


as vezes acho que descobri.

outras vezes tenho certeza que não.


Mas quando me pertenço

quando me encontro

quando me vejo

sei que não falta nada.


Quando busco sem olhar para o lado,

desatento

ainda continua faltando algo.

Quando respiro e observo

sinto o cheiro

aperto os olhos e ando devagar

sem apertar o passo

nada me falta

lembro de mim. 

Eu me sou.

e se tenho a mim, nada me falta.


Mas quando percebo

que não me sobra tempo

deixo de reclamar

e aprecio o meu tempo.

e continuo a minha busca.

Preciso me sentir parte de algo

mas primeiro, 

de mim. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Estereotipado

Muito mais que um preto raro

Te vi e não menti

Achei que seria muito mais caro

Por a prova tudo que senti

Ideias distorcidas

Nem todas as vezes percebi

Eu acho que não é assim

Mas ainda não te reconheci 

Gato pra caralho

O cara não é bem do mal, talvez

Faço linha dura e você me quer mais

Uma vez

Dar pra você todo o meu gosto

Eu sei que vai me fazer mal

A vida só vive uma vez

O meu desejo é muito mais que real

Vidas diferentes, você já tem alguém 

mas

Eu tenho alguém também 

Eu tenho alguém também

Me pede pra sentar que eu sento

Eu obedeço mas não temo

Por que somos tão diferentes 

Porque eu acho que somos

Espereotipado por mim?

Aqui você não entra

Aqui você não senta

Mas sinta-se a vontade pra mim

O seu riso é minha sina

E

Sua bonita é muito linda. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Sem título

 Um dia jogado fora 

Poderia ter sido pra dentro

Dentro de um arco íris 

Com samba e iluminação 

As vezes meio torto 

Meio esquisito 

As coisas estão bem aqui 

Paradas e paralelas 

Num mundo que eu mesmo inverti. 

 Deitado na cama 

Ainda penso no dia 

E minha letra se perde 

Nem entendo quem dirá

Ela 

Parece meio tonto

Meio obcecado as vezes 

Escrevo no masculino 

Mas o feminino está no meu ventre. 

Palavras que surgem na mente

Me acham normal esquisita 

Convencional ou tanto faz

Pensar demais nos outros 

Não os fazem menos cuzoes

Ignora-los talvez 

Mas o ódio se faz toda hora 

Um segundo e tudo acaba 

Já me perdi de novo 

Que horas são hoje? 

Escrever é urgente 

Quem sabe assim descobrem 

Uma forma de não morrermos. 

A morte ainda me assombra 

Até quando eu ainda não sei.

Se é que um dia estarei 

Disposto a morrer tranquilo 

Como as pessoas sábias 

Que não tem mais perspectivas. 

Todos os dias há vida 

E em todos os outros há morte.

Meu pai diz que a vida é 

Deixar um legado 

E você se depara com a sua existência 

Inutilmente anulada. 

Por você.

Pelo outro. 

Pelos seus próprios pensamentos estranhos. 

Minha mãe diz que me falta Deus. 

E Deus me diz adeus toda vez

Que eu tenho ler algo que ele disse. 

Mas ainda continuo com muitos porquês.

Mesmo tendo todos os motivos

Para 

Apenas

Agradecer.

Durmo

Sento perto 
Sonso espero
Cheiro quero
Mordo erro
Acerto peito
Nu abaixo 
Mostro calo 
Boto o falo
Acabo gozo
Sumo morto
Acordo sonho
Erótico sempre.

sábado, 18 de julho de 2020

Mãe de dois

De todo o caos
Um caso de amor.
Sendo fonte
Sou vida
Frutífera.
De todo o medo
Uma sorte em viés.
Vendo os olhos
E sigo.
De toda a lágrima
Um vaso de planta.
Semeia dura
Forte
e a sorte
De ser um em dois.

Sou mãe.

18 de julho de 2020 - Beatriz.

domingo, 10 de novembro de 2019

Eu sou potira?

Pertenço à mim.
Pertenço à mim?
Pertenço à mim...
Mas o que é isso?
Mim é índio, dizem.
Que seja... dizem.
Que assim seja 
Sim...
Será?

Já nos roubam todos os dias
A permissão de ser aquilo
Que grita em nós
Ainda roubarao a vontade
De nos conhecer?
Sim
Ocultando a nossa origem
Apagaram a nossa história

O que nos resta ?

De onde eu vim?
Ou
Onde estive?
Somos um ?
Somos todos?
Somos?
Somamos?
Sumimos?
Sumiremos?

Inquietudes que me assombram
Perguntas que me surgem...

Será que ainda saberei?

Hoje os antecedentes somam
Sobre a tua identidade
- o teu número - e não quem tu és.

Mas falo de ancestralidade
Aquilo que grita
Aquilo que fere
Aquilo que te leva a entender
Um pouquinho mais sobre o ser
E sobre os porquês.
Não nos deixemos esquecer!

Chega de sangue manchando
A árvore genealógica
Chegue de sangue manchando
A terra, o chão, o ar.
Chegue de sangue desoxigenado!!!!!

Busquemos o que somos!
Para que um dia
Ainda possamos ter
O direito de ser e exercer
A nossa
Humanidade.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

SETEMBRO AMARELO

Por mais que você mate o tempo
O que te incomoda continua a li
A matar-te um pouco todos os dias.

Por mais que você sinta
As vezes as pessoas acham que podem
Te fazer não desistir mas a dor continua ali.

Ela existe.

E de tanto existir por dentro
Ela grita e quer ir pra fora.

Ela existe.

E sem acreditar que sim,
-Ela vai sair dessa-
A saída se torna o fim da linha.

Por mais que não seja o seu verdadeiro querer
De tanto acreditar que não era capaz e que não existia
-como pessoa-
A vida vira coisa à toa
E a pessoa que você achava boba
Tirou a própria vida.

Falta de dinheiro?
Falta de coragem?
Falta de amor?
Culpa da sociedade?

Enquanto procuramos culpados
Quem mais se sente culpado
É colocado como o “vitimizado”
Vítima sim
De um grande crime organizado.

Quem mede a dor que tu sente?
Quem vai beber água quando está com sede?
A régua que mede a minha dor
Não percorreu o caminho que percorri
Não viveu o que eu vivi
Não engoliu o que eu engoli e tive que vomitar para não me matar
A régua que mete a minha dor
Se torna réu do crime que cometeu
Quando escolheu
Julgar a minha vida quando eu apenas
Precisava de empatia.

O que me falta?

 Tenho me sentido estranha, mas hoje sei que preciso me sentir parte de um lugar muito especial. E sobre isso, escrevo assim: O que me falta...