quarta-feira, 19 de junho de 2013

Já aprendi a confundir.

Já aprendi a confundir/Não associe.

Quando penso em belas palavras
É de você que penso falar.
Quando sinto sensações agradáveis
É de você que penso sentir.
Quando o gosto vem em minha boca
e ela involuntariamente se enche
de aguá, saliva doce, indecifrável
Sei que você está aqui
Dentro de meu corpo.
Pois o meu amor
Já virou coisa física
Passando de mero sentimento
Para o câncer que se manifesta
de fato.
Feito loucura, insanidade.
Acredito e sinto que somos
um só.
Longe da minha carne
o seu espírito mítico
corrompe minha sanidade.
O bem que me fazes
já não sei conciliar
com a realidade.
Vivo em plano
Flutuante.
Nem aqui.
Nem ali.
Outro espaço
Outro mundo.
Até o encurtamento
das ideias
onde minhas letras
não alcançam mais.
Inatingível
Inigualável
Irrefutável.
E de repente
vem o aforismo,
a raiva, e a incompreensão
da incapacidade de ser
apenas
mais uma.
Paixão profunda,
poço sem fundo.
Até o fim da
eternidade.
Aquela que não
existe porque não
conhecemos.
Entre o começo
e o fim.

Já não sei o que faço
o que falo
o que quero dizer.
invento tempo,
invento, invento.
Disfarço o sentimento.
Não entendendo
(como fuga)
crio a bala e a dor
a perfurar...
cessando aquilo que
sei, acredito
nunca poder alcançar.
Não sei se aceito,
ou se me entrego.
De repente já fiz
ambos.
Na tentativa de viver
dia mais dia
vou me despedaçando
mediante o seu ser.
Triste.
Difícil.

Maria  do Cangaço. 
" Não passam de confusões, não associáveis." 

2 comentários:

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