quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sonho

Num despertar de um sonho lindo, 
Construído pelo inconsciente divino
Caminhando em busca de um específico sorriso: duvidoso.


As luzes, ao olhar dos olhos dela,
Distorciam a realidade, turva, que imaginou

Neste mesmo sonho lindo.

Lembranças vagas, surgiam na psique
Exacerbada era a vontade, de fazer-se real
Torna-te novamente real, a tua pele

Sobre os braços dela.

Seria mesmo este, um sonho lindo?

Cercado de incertezas, o sonho que já não era mais sonhado, 
E sim vivido
Denominou-se como eternas saudades,
De uma realidade intangível.


Anos se passaram, e a lembrança ainda daquele mesmo sonho lindo,
Foi desvendada ter sido sonhada, 
Por outra mulher.


Deitada na cama, tentou retornar ao sonho da outra. 
E não conseguiu.
Lembrou-se ter tido vontade de despertar
E agora
Já era tarde demais.
À aquele sonho, ela não retornaria mais.


Mesclando todos os arrepios que sentia, com os olhos fechados
Questionou-se, se em algum momento, 
Estiveram-os de fato, acordados. 
Os olhos.
A razão. 
O amor, lúcido.


Não.

Aquele sorriso, simplesmente a consumia.
Esquemas criados, muito mais elaborados
Que o tear de uma aranha,
Envolviam os sentidos dela.


O calor daquele sorriso duvidoso,
Afastado pelo destino natural da vida,
Unido pela casualidade de emaranhar a vida,
Enlouqueceu-a de paixão.


Voltando ao sonho lindo,
Triste por não mais poder vive-lo
Decidiu que faria da paixão onírica
Um belo jardim.


Cuidaria da alma viva, que permanecia intacta:
Pelo por pelo, cílios por cílios, póros por póros. 
Imagem de um sorriso duvidoso,
Composto na tela de um rosto
Pintada por Deus.


Ao amor e aos dias vividos, 
Rasos de igualdade,
Contudo, revestidos de uma intensa insanidade
Fizeram dela, uma mulher mais feliz.


Abençoado seja este jardim,
Que a permita voltar,
Nem que seja apenas para relembrar
Daquele sonho e sorriso lindo.

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